domingo, 21 de fevereiro de 2010

Planejar liberta mais do que aprisiona

Planejar para que, se tudo muda? Quem planeja de mais, executa de menos. O futuro jamais pode ser enquadrado em uma caixinha rígida de metas, responsáveis e prazos. Os investimentos em planejamento engessam a flexibilidade e inibem a criatividade. Não adianta planejar aquilo que não podemos controlar. Não conseguimos planejar nem nossa própria vida individual, quanto mais uma organização coletiva.

O parágrafo acima é um prato cheio para quem tem alergia a planejamento. Mas vou logo alertando os gulosos por tais aforismos, candidatos crônicos ao anarquismo profissional: planejar não ofende e é muito mais saudável do que insistir no contrário. O melhor planejamento pode não ser a ponte inevitável para o sucesso esperado. Mas a ausência de planos é o passaporte certo para resultados medíocres.

Quem se deixa levar pela incerteza, torna-se míope para os detalhes da caminhada. Quando não sabemos bem para onde vamos, nosso olhar se perde nas atribulações imediatas do cotidiano. Sem visão, nossa ação perde dimensão. Sem direção estratégica, nossos caminhos operacionais se estreitam demais, podendo nos levar a lugar nenhum, ou nos tanger para destinos equivocados e frustrantes.

O planejamento, por mais paradoxal que seja, liberta muito mais do que aprisiona. Planejar não é vestir camisa de força. Planejar é usar a liberdade de forma produtiva. É ter um guia para antecipar ameaças antes que causem estragos maiores. É ter uma bússola para fisgar oportunidades antes que sejam capturadas por radares mais preparados e sensíveis às variáveis ambientais e eventos externos.

Qual a sua vocação no mundo? Qual seu papel na sociedade? Qual a missão de sua organização? Sua entidade conhece a dinâmica que influencia sua existência? As ações empreendidas em sua instituição estão articuladas dentro de um projeto estruturado, claro, coerente, viável e monitorável? Ampliando a escala desse “checklist”: Os projetos de sua organização apontam para um horizonte comum, capaz de unificar seus grupos em prol de uma causa mais abrangente?

O planejamento não foi “inventado” para ser executado cegamente. Mais do que traçar mapas com distâncias, percursos e fronteiras imutáveis, o planejamento nos ajuda a enxergar além, aguçando nossos sentidos para acontecimentos quase invisíveis, que gostam de se esconder dos peregrinos incautos e só se desnudam para quem tem olhos de águia. A questão não é simplesmente saber quando choverá ou fará sol, mas como lidar melhor com ambos os fenômenos, na hora em que aconteçam.

BLOG Vencer Juntos
"A mudança só depende de nós"

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